OBJECTOS PARCIAIS
"És uma adivinha. Revelas a chave nas palavras em que a escondes." Nuno Bragança (1929-85)
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Brutal Breve - A Infâmia dos inocentes
Juan Gabriel encheu a casa de palavras de amor
Teatro em construção? - Ora Pois Claro. Leiam, o final é bem divertido!
As miudezas, essas coisas que o vento leva.
Sobre a planura do horizonte,
o imenso chão dos dias,
short stories de vidas curtas, afinal,
já tudo foi dito
Mas agora por outras palavras:
sim, por outras palavras
exaustas, porque a poesia tem
o desgaste das crenças absurdas
como se não assentasse na razão
qual santinha de milagres levantada
d'invenções delapidada
das mil vozes que por ela escalam
desfazendo em poeira
o brilho da salvação.
Religião profanada como um templo
roubado
Esculturas de areia que a água desfaz
Antigamente líamos n'areia molhada,
ou nunca lemos
e só inventámos números para relatórios burocratas?
A poesia não lambe na mão do ecoturismo
Recua, tímida, dos ingredientes salutares da barraca
da cidade
A poesia reduz-se nas palavras dos videntes
Esconde-se dos maravilhados
Não o sabemos todos, amantes desolados e magnatas do futuro?
Nevertheless, existe, como um osso do corpo
como a membrana que permite mobilidade
aos ossos
ou como a carne que nos engorda
como o mecanismo orgânico que nos faz ver
como uma varanda inútil onde colocamos os trastes e as vergonhas
Está lá, na varanda e no osso
na membrana e no mecanismo
É tudo o que esquecemos
o que nos fez mover até outro lugar
o que nos trouxe a ponte e o imaginado prazer
o que mantém vivos os mortos debaixo das grandes obras
e agora, ausente, nos mata sem memória de nós.